Arquitetura

Atelier Nuno Valentim recebe Prémio Gulbenkian Património



                      Atelier Nuno Valentim recebe Prémio Gulbenkian Património
Quinta de Crasto, Vairão, Vila do Conde. Vista aérea do conjunto reabilitado e da sua relação com a paisagem envolvente

O projeto gizado pelo ateliê Nuno Valentim Arquitetura veio reabilitar uma antiga quinta agrícola do século XIX, situada em Varão, para acolher a sede da Associação Biopólis, dedicada à investigação da biodiversidade e dos ecossistemas. Conciliando património com investigação científica, a intervenção foi a vencedora do Prémio Gulbenkian Património – Maria Teresa e Vasco Vivalva 2026, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian.

“A atribuição do Prémio Gulbenkian Património reconhece a qualidade desta intervenção e a capacidade de dar novos usos ao património construído, preservando a sua identidade e garantindo a sua continuidade”, congratula o atelier, em comunicado.

Intervindo sob um conjunto agrícola composto por uma casa senhorial e vários edifícios de apoio à atividade agrícola, organizados em torno de um pátio com eiras de granito e um espigueiro; o projeto começou por procurar compreender a quinta, e, a partir daí, preservar o que existia, reparar o que era possível e adaptar os edifícios às necessidades atuais. Ou seja, “em vez de reproduzir o passado ou afirmar o novo por contraste, a intervenção procurou estabelecer uma continuidade entre os diferentes tempos do lugar”, explica o ateliê.

Desta forma, na casa senhorial foram preservadas carpintarias, tetos em estuque e pavimentos de madeira pintada. Nos antigos sequeiros, as fachadas de ripas de madeira (originalmente destinadas à ventilação e secagem dos cereais) foram reinterpretadas como dispositivos móveis de sombreamento. A antiga Casa da Eira foi convertida numa cafetaria, reforçando a função do pátio como espaço de encontro e convívio.

Para transformar a Quinta numa sede de investigação científica, foram integrados gabinetes, espaços de trabalho, áreas comuns e laboratórios especializados em edifícios originalmente construídos para a atividade agrícola, o que “trouxe desafios muito particulares”.

“A reabilitação da Quinta de Crasto confirma um princípio fundamental da prática do nosso atelier: mesmo os programas mais exigentes encontram lugar no edificado existente. Aqui, o património arquitetónico e a memória agrícola do lugar encontram uma nova possibilidade de uso, ligada à investigação científica e à biodiversidade. É desta convergência entre possibilidade arquitetónica e possibilidade de uso, sempre centrada em quem habita estes espaços, que nasce uma nova ‘eira científica’”, afirma Nuno Valentim, o arquiteto responsável pelo projeto.

A intervenção estendeu-se aos espaços exteriores, com projeto de arquitetura paisagista de Paulo Farinha Marques e Manuel Gentil Rebelo.

O ateliê destaca ainda que este projeto dá continuidade a uma relação de trabalho iniciada em 2010 entre Nuno Valentim, Nuno Ferrand e Paulo farinha Marques, no Jardim Botânico do Porto, que tem vindo a aproximar arquitetura, património, biodiversidade e investigação científica.


Fotografia: ©João Ferrand, para Ateliê Nuno Valentim Arquitectura

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