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Construção abranda: obras públicas caem 26% no arranque de 2026



                      Construção abranda: obras públicas caem 26% no arranque de 2026
Fotografia: Pexels

De acordo com a estimativa rápida do INE, o Produto Interno Bruto (PIB) registou um crescimento homólogo de 2,3% no primeiro trimestre do ano. Ainda assim, em termos trimestrais, a variação foi nula, sinalizando um abrandamento do ritmo de crescimento económico num período marcado por sucessivos episódios de intempérie que afetaram o país.

Esta instabilidade meteorológica tive impacto direto na atividade do setor da construção. O consumo de cimento, após dois meses consecutivos de queda, registou uma recuperação expressiva de 26% em março, permitindo encerrar o trimestre com uma variação positiva de 2,2%

No que diz respeito ao licenciamento municipal, os dados disponíveis para janeiro e fevereiro apontam também para um abrandamento. Até fevereiro, o número total de licenças emitidas recuou 18,7% em termos homólogos. Esta evolução negativa reflete-se tanto na área destinada a edifícios habitacionais, que diminuiu 21,7%, como no segmento não residencial, que registou uma redução de 12,2%.

Ao nível dos custos de produção, o Índice de Custos de Construção de Habitação Nova apresentou, em fevereiro de 2026, uma subida homóloga de 4,7%. Este aumento resulta sobretudo da forte valorização da mão de obra, que cresceu 8,2%, enquanto os preços dos materiais registaram uma subida mais moderada de 1,7%.

No plano financeiro, os dados do Banco de Portugal evidenciam uma evolução positiva no setor. O stock de crédito às empresas da construção aumentou 11,2% em março, atingindo 7,2 mil milhões de euros. Em simultâneo, verificou-se uma redução de 9,2% no crédito vencido, um desempenho que contrasta com o conjunto das empresas nacionais, onde o incumprimento registou um aumento de 4,1%.

Por outro lado, o mercado das obras públicas apresentou uma contração no primeiro trimestre de 2026. O montante de concursos públicos promovidos totalizou 1.982 milhões de euros, traduzindo uma quebra homóloga de 26%. Esta tendência negativa estendeu-se aos contratos celebrados, que atingiram 956 milhões de euros, menos 27% face ao mesmo período de 2025.

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