Na sessão de abertura, Vasco Peixoto de Freitas, Diretor do Laboratório de Física e Tecnologia das Construções (LabFTC), sublinhou a crescente complexidade da área. O responsável apontou a evolução tecnológica e as exigências das construções como fatores determinantes para a transformação do setor. “É decisivo percebermos que a robotização, a digitalização, a pré-fabricação são absolutamente decisivos. Mas há outros desafios, como por exemplo, esta necessidade de construir diferente, construir melhor, mas construir por preços que sejam possíveis para as famílias portuguesas”.
“A crise da habitação tem de ser refletida. Há muito diagnóstico, há muitas propostas já implementadas, mas temos um longo caminho a percorrer onde a reabilitação, o reaproveitamento dos edifícios que temos e que não estão utilizados é fundamental”, Vasco Peixoto de Freitas, Diretor LabFTC
Recordando a evolução do ensino das construções, desde 1926, Francisco Taveira Pinto, Diretor do Departamento de Engenharia Civil e Georrecursos (DECG), destacou o crescimento das infraestruturas laboratoriais e as profundas transformações ocorridas nas últimas décadas.
O docente alertou ainda para os desafios atuais da engenharia civil, apontando questões como as alterações climáticas, a escassez de recursos, a necessidade de habitação digna e a adaptação das cidades como prioridades incontornáveis. Neste contexto, defendeu a necessidade de reinventar o ensino, integrando ferramentas digitais, novos materiais e abordagens inovadoras. “A engenharia das construções já não se faz apenas com cálculos e normas, mas com uma visão sistémica, responsabilidade ambiental e sensibilidade social”, sublinhou.
Também Rui Calçada, Diretor da FEUP, destacou o simbolismo da data, considerando que o centenário representa não apenas a longevidade de um percurso académico, mas a vitalidade de uma missão essencial para o desenvolvimento da sociedade. O responsável enfatizou o papel histórico da Universidade do Porto e da FEUP na formação de engenheiros civis, bem como a ligação entre o ensino, a investigação e a realidade do setor.
Perante um contexto de crescente complexidade técnica e exigência ambiental, Rui Calçada defendeu que o futuro passa pela formação de profissionais com competências interdisciplinares, domínio de ferramentas digitais e forte consciência social.
A conferência "Ensino das Construções na Universidade do Porto" reuniu mais 200 pessoas, no Auditório José Carlos Marques dos Santos.