Perspetivas

Setor da Construção aponta para crescimento de 4,4% em 2026



                      Setor da Construção aponta para crescimento de 4,4% em 2026
Fotografia de wirestock, Freepik.

A economia portuguesa deverá ter crescido 1,9% em 2025, superando de forma expressiva os 0,8% estimados para a Zona Euro. Ao longo do ano, a atividade foi sustentada por um mercado de trabalho resiliente, pela desaceleração da inflação e por uma melhoria gradual das condições financeiras, com o investimento público a assumir um papel determinante na tração da economia.

De acordo com a Conjuntura da Construção da AICCOPN, neste enquadramento, o setor da construção destacou-se como um dos principais motores da dinâmica económica, assegurando a execução dos fundos europeus, em particular os investimentos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência. A engenharia civil liderou o crescimento do setor, com um aumento estimado de 5,5% no Valor Bruto da Produção, suportado por um volume elevado de contratos, que atingiu 7.186 milhões de euros até novembro.

Também o segmento dos edifícios habitacionais registou um desempenho positivo, com um crescimento próximo dos 4% do Valor Bruto da Produção, refletindo o reforço da procura e a recuperação gradual da atividade. Já nos edifícios não residenciais, a evolução foi mais contida, com um crescimento estimado de cerca de 1%, num contexto de menor dinamismo do investimento privado.

No conjunto, a construção deverá ter fechado 2025 com um crescimento global de 4,1% do Valor Bruto da Produção, confirmando o peso do setor na economia e o seu papel central no suporte à atividade e à execução dos investimentos em curso.

2026 com perspetivas de crescimento sustentado

Para 2026, o enquadramento macroeconómico deverá tornar-se mais favorável, com o Produto Interno Bruto a acelerar para 2,2% e o investimento público a atingir 3,8% do PIB. Neste contexto, o próximo ano assume-se como decisivo para a atividade das empresas do setor da Construção e do Imobiliário, num cenário marcado pela forte execução dos projetos do Plano de Recuperação e Resiliência e pelo reforço do investimento em habitação.

Na edificação habitacional, antecipa-se a consolidação de um desempenho robusto, com o Valor Bruto da Produção a crescer entre 3,2% e 5,6%. Esta evolução resulta do dinamismo registado ao longo de 2025 no licenciamento, traduzido num aumento de 6,3% no número de licenças emitidas e de 22,2% no número de fogos licenciados em construções novas até outubro. Em paralelo, a estabilização das taxas diretoras do Banco Central Europeu deverá continuar a assegurar condições de financiamento favoráveis, compatíveis com a manutenção dos níveis de procura neste segmento.

No que respeita aos edifícios não residenciais, a evolução deverá ser mais moderada, com crescimentos estimados entre 1% e 3%, refletindo a estagnação do investimento privado num contexto ainda marcado por incerteza, parcialmente compensada pelo reforço do investimento público.

A engenharia civil deverá manter-se como o principal motor de crescimento do setor em 2026, com o Valor Bruto da Produção a projetar aumentos entre 4,3% e 6,7%. Esta dinâmica assenta na carteira de obras acumulada em 2025, resultante do elevado volume de concursos de empreitada de obras públicas lançados no âmbito do PRR, em fase final de execução, e do Portugal 2030. Até novembro de 2025, os concursos promovidos totalizaram 9.668 milhões de euros, o que representa um crescimento homólogo de 28% e sustenta a projeção de atividade para o próximo ano.

Em termos globais, estima-se que o Valor Bruto da Produção da Construção registe um crescimento médio de 4,4% em 2026, superando o ritmo de expansão do PIB e elevando o valor da produção setorial para cerca de 25.500 milhões de euros. 

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