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Descarbonização dos edifícios é necessária



                      Descarbonização dos edifícios é necessária

A descarbonização do setor imobiliário esteve no centro do debate na sessão “Descarbonização de A a Z – Do projeto à vida do edifício”, realizada no último dia da Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa.

O debate contou com a participação de Nuno Fideles, Head of Sustainability da Savills, Marcus Torres, Country Manager da ChargeGuru Portugal, e David Carreira, diretor-geral da Thomas & Piron, com moderação de Vítor Amaral, presidente da APEGAC.

Sustentabilidade influencia investimento e financiamento

Segundo Nuno Fideles, a sustentabilidade deixou de ser apenas um fator reputacional e passou a ter impacto direto nas decisões de investimento e financiamento.

“Os investidores já olham para a forma como vão preparar os seus edifícios e como vão obter financiamento para esses projetos”, afirmou, acrescentando que existe um crescente investimento em eficiência energética, sobretudo na construção e reabilitação de escritórios e na área da logística.

No segmento build to rent, explicou, a sustentabilidade também pode representar valor acrescentado. “Permite que os utilizadores façam contratos mais longos, pagando um pouco mais, mas com a garantia de que estão num edifício preparado para cumprir a legislação”, referiu.

Ao mesmo tempo, alertou para os desafios que se aproximam: “2030 traz grandes desafios, principalmente na reabilitação, porque temos um parque edificado que precisa de ser transformado.” A própria banca, sublinhou, está cada vez mais pressionada a apoiar financeiramente projetos com critérios de eficiência energética e sustentabilidade.

Descarbonizar

Do ponto de vista da construção, David Carreira reconheceu que integrar critérios de descarbonização implica um aumento de custos: “Em relação ao custo, não tenho certezas, mas andará entre os 7% e os 10%”, afirmou. No entanto, salientou que os preços da construção têm vindo a subir devido à elevada procura e à escassez de mão de obra, o que torna difícil separar o impacto específico das soluções de descarbonização.

Apesar disso, deixou uma ideia clara: “O custo de não fazermos será mais elevado do que o custo da descarbonização.”

O responsável lançou ainda uma reflexão sobre a capacidade do mercado para absorver as exigências europeias: “Com a dinâmica atual do mercado, tudo está a ser absorvido. A questão é perceber se, num mercado menos dinâmico, conseguiríamos atingir estas metas.”

Mobilidade elétrica

A eletrificação dos edifícios foi outro dos temas em destaque. Para Marcus Torres, a massificação dos veículos elétricos está a avançar mais rapidamente do que a infraestrutura de carregamento.

“A resposta é não”, afirmou quando questionado se o país está preparado para uma massificação de carregadores elétricos nos edifícios. Apesar de Portugal ser frequentemente apontado como pioneiro na mobilidade elétrica, o carregamento público já não está a acompanhar o ritmo de crescimento dos veículos elétricos.

Nesse contexto, o carregamento residencial torna-se cada vez mais importante. “Passamos muito tempo dentro de casa, por isso é fundamental poder carregar o carro em casa”, explicou.

Para Nuno Fideles, a maior redução de emissões acontece quando a eficiência energética é considerada logo na fase inicial do projeto.“Esta ideia de eficiência energética tem de estar no conceito inicial do projeto, envolvendo toda a fileira”, defendeu. O desafio é significativo: na Europa, cerca de 75% dos edifícios não são energeticamente eficientes, o que implica um esforço estruturado.

A transformação do setor exige também uma mudança cultural. David Carreira sublinhou a necessidade de alterar mentalidades entre projetistas, entidades públicas e clientes finais.

Ao mesmo tempo, apontou a industrialização da construção como uma resposta à escassez de mão de obra. “Para fazer face à falta de mão de obra é preciso industrializar”, afirmou, acrescentando que essa evolução pode também ajudar a atrair jovens para o setor.

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