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Conhecidos os vencedores do Prémio Jovens Arquitetos



                      Conhecidos os vencedores do Prémio Jovens Arquitetos
Fotografia: VI

A sessão realizada no último dia da Semana da Reabilitação Urbana, foi dedicada ao Prémio Jovens Arquitectos, e colocou no centro do debate o papel das novas gerações de arquitetos na resposta aos desafios urbanos, sociais e ambientais contemporâneos.

A iniciativa refletiu sobre os contributos que podem dar os jovens arquitetos para a transformação das cidades e de que forma a arquitetura pode responder à crise de acesso à habitação e às mudanças sociais e ambientais.

“O que significa ser jovem arquiteto hoje?”

Na abertura da sessão, Paula Torgal, Vice-Presidente do Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Arquitectos, sublinhou que a arquitetura se insere hoje “num contexto particularmente complexo e paradoxal.”

Segundo a responsável, Portugal enfrenta atualmente uma realidade marcada pela pressão do turismo, pelo deslocamento de comunidades para a periferia e pela dificuldade de acesso à habitação por parte de famílias e jovens. A este cenário junta-se ainda um mercado especulativo e um quadro legislativo muitas vezes contraditório.

Neste contexto, questionou o que significa ser jovem arquiteto hoje?” referindo que, ser arquiteto, implica “experimentar novas perceções e interpretações da cidade, antecipando novas formas de habitar e novos modelos de prática profissional”. Essa missão exige não apenas capacidade técnica, mas também consciência ecológica e atualização constante.

“Fazer arquitetura é também uma afirmação política”, afirmou, defendendo que cabe aos profissionais refletir sobre o presente e o futuro das cidades, da paisagem e da reabilitação urbana — áreas que considera pilares urgentes de intervenção cultural e de responsabilidade coletiva.

A responsável destacou ainda que a arquitetura deve contribuir para regenerar não apenas os edifícios, mas também a confiança nas instituições, nos projetos e na arquitetura enquanto serviço público.

Quatro projetos finalistas em destaque

Após a introdução, foram apresentados os finalistas. O primeiro projeto apresentado, dos arquitetos Gonçalo Pereira e Inês Cruz, denominado “Casa no Carvalhal”, propõe uma habitação privada localizada num condomínio na Comporta. Distingue-se “por evitar a tipologia dominante da região — marcada pelas coberturas inclinadas — optando antes por uma solução formal mais abstrata e unitária”

O projeto “(re)cortes – tecto, paredes e pilar”, do arquiteto Filipe Paixão, explora a ideia do recorte enquanto estratégia de transformação arquitetónica. A proposta insere-se numa investigação que adapta práticas inspiradas em Gordon Matta-Clark à transformação de estruturas existentes em cenários domésticos.

Da autoria de Less Almeida e Eduardo Arnau, do há.atelier, o CIC – Centro Interpretativo do Cereal nasce de uma leitura do território marcada pela presença histórica da água e pela atividade da moagem. O projeto propõe recuperar antigos moinhos de água enquanto elementos estruturantes da memória coletiva e da identidade local, transformando-os em catalisadores de vida social, cultural e económica.

O projeto “Novo Pólo do Colégio Ribadouro”, de Sofia Passos Santos, propõe a ampliação de um equipamento escolar existente na cidade do Porto. A intervenção desenvolve-se através da ocupação transversal do quarteirão, incluindo a reconstrução de um edifício originalmente destinado a habitação e a reabilitação de duas frações existentes.

Projetos premiados

Em representação do júri, Simão Botelho destacou a elevada qualidade das propostas apresentadas, considerando que os projetos “demonstram vitalidade na arquitetura portuguesa e revelam o potencial das novas gerações de arquitetos”.

Na cerimónia de entrega dos prémios, foram anunciadas a menção honrosa/3.º lugar ao projeto Casa no Carvalhal, do Ateliê de Santa Bárbara; o 2.º lugar ao projeto “(re)cortes”, do Corpo Atelier; e o 1.º lugar ao CIC – Centro Interpretativo do Cereal, do há.atelier e ao novo Pólo do Colégio Ribadouro, do  SO-STUDIO.

A sessão terminou com uma reflexão da arquitetura emergente, destacando o papel dos jovens arquitetos na construção de cidades mais conscientes e sustentáveis.

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