Terminou na quinta-feira a 13ª edição da Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa, que se estreou este ano na Lisboa Social Mitra, em Marvila.
O evento, iniciativa da Vida Imobiliária que conta com os apoios da Câmara Municipal de Lisboa e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, contabiliza o registo de 2.399 pessoas que participaram nas 24 sessões e iniciativas da agenda da SRU, dinamizadas por mais de 120 oradores de diferentes empresas e instituições do setor, públicas e privadas. Ao longo de três dias intensos de agenda, estiveram reunidas mais de 60 entidades e parceiros nas várias conferências, debates e área de exposição. Habitação, arrendamento, sustentabilidade, descarbonização, tecnologia, licenciamento e legislação foram alguns dos temas em destaque.
Participando na abertura oficial do evento, Patrícia Gonçalves Costa, secretária de Estado da Habitação, referiu a importância da reabilitação urbana na resposta ao desafio da habitação, lembrando que esta “é a resposta mais rápida para disponibilizar oferta às famílias, conciliando eficiência ambiental e racionalidade económica”, e que “Portugal tem mais de 1.500.000 de edifícios com mais de 50 anos”, pelo que a oportunidade é também de melhoria da segurança sísmica.
Recordou que o Governo assumiu desde o início a habitação como prioridade, e enquadrou o momento atual numa tendência europeia de recentrar a habitação como prioridade estratégica. “Se queremos discutir a habitação em Portugal, não podemos ignorar o que está a ser feito na Europa. Nós estamos a participar no desenho do que está a ser planeado para os próximos anos”, nomeadamente no que toca ao plano europeu para a habitação acessível. “Temos uma urgência social de concretizar respostas habitacionais no menor espaço de tempo". E alertou que "temos de planear o futuro, e de estar preparados. Falhar na preparação, é prepararmo-nos para falhar. Contamos com o conhecimento de todos para ultrapassar este grande desafio da crise do acesso à habitação”, concluiu.
Também presente na abertura oficial, Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, destacou a habitação como prioritária no novo Plano Diretor Municipal que a autarquia está a preparar. “O objetivo é criar um documento estratégico que traga clareza, reduza a burocracia e materialize uma nova visão de cidade, assente na mobilidade, melhor circulação e maior sustentabilidade”. Só depois desta base estrutural, é que “será possível aumentar de forma consistente a oferta de habitação”. Destacou os novos planos de urbanização do Vale de Santo António ou do Vale de Chelas, com potencial construtivo de milhares de fogos, e lembrou: “Ninguém tem uma varinha mágica, e temos de resolver o problema em conjunto, com todos os aqui presentes. Precisamos de oferta, de acesso e de reabilitação”.
Por seu turno, Manuel Reis Campos, presidente da CPCI, contabilizou que Portugal tem de construir cerca de 30.000 a 60.000 fogos por ano para responder às necessidades habitacionais atuais, e há medidas que podem mobilizar os privados para esta resposta, como a redução da carga fiscal, a simplificação da burocracia ou a maior celeridade do licenciamento e a dinamização do mercado de arrendamento. “reabilitar é mais do que preservar património, é regenerar cidades e articular política ambiental, social e económica. É necessário construir mais, reabilitar mais. Esse é o verdadeiro paradigma”, concluiu.