opinião

Reabilitar é também criar oferta

Reabilitar é também criar oferta
Miguel Franco
Co-CEO da Schmitt+Sohn

Os números ajudam a perceber a urgência. Os dados mais recentes do INE dão nota de que, apesar de uma desaceleração no ritmo de subida, os preços aumentaram quase 17% no último ano. A isto soma-se a perspetiva de nova subida dos juros. A pressão sobre os preços e o custo do financiamento reforçam uma evidência: aumentar a oferta continua a ser uma prioridade. E aumentar a oferta não significa apenas construir de raiz. Significa também criar condições para que edifícios e imóveis existentes possam regressar ao mercado e responder às necessidades atuais.

É precisamente aqui que a reabilitação urbana ganha uma importância renovada. Mais do que recuperar edifícios, permite devolver imóveis às cidades, prolongar a vida útil do património construído e adaptar edifícios concebidos há décadas às atuais exigências de conforto, segurança, eficiência e acessibilidade. Reabilitar é, por isso, também uma forma de criar oferta e de tirar maior partido da cidade que já temos.

Fazê-lo implica, porém, trabalhar com o que já existe. E quem trabalha diariamente neste mercado sabe que dificilmente há dois edifícios iguais. Há condicionantes de espaço, estruturas que importa preservar, diferentes utilizações e necessidades muito específicas de quem habita ou utiliza cada imóvel. Essa realidade exige conhecimento técnico, capacidade de adaptação e, sobretudo, uma cultura de soluções à medida.

Na Schmitt+Sohn, é dessa forma que entendemos a reabilitação. Não como um exercício de aplicação de respostas normalizadas, mas como um trabalho de engenharia em que é necessário compreender primeiro o edifício para encontrar depois a solução adequada. Na mobilidade vertical, esta abordagem é particularmente relevante: introduzir acessibilidade e conforto num edifício existente obriga frequentemente a compatibilizar requisitos contemporâneos com espaços e estruturas que nunca foram pensados para os receber.

Com esta visão, participamos na Semana da Reabilitação Urbana do Porto desde a sua primeira edição, o que nos tem permitido acompanhar de perto a evolução deste mercado e contribuir para uma discussão que hoje é ainda mais relevante. Reabilitar significa preservar, mas também transformar. Significa tornar as nossas cidades mais acessíveis, eficientes e preparadas para novas gerações. Perante o desafio habitacional que temos pela frente, aproveitar melhor a cidade existente não concorre com a construção nova, complementa-a. Precisamos de construir mais, mas também de devolver à cidade aquilo que já existe e pode voltar a ser utilizado. Reabilitar é, também por isso, criar oferta.

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