A inHabitus, startup portuguesa focada na industrialização da habitação, anunciou que vai construir 1080 habitações até 2028. O projeto tem como objetivo a entrega de casas com prazos mais curtos e preços por m² global (incluindo áreas exteriores privativas) que chegam aos 65% abaixo da mediana nacional. A construção do primeiro condomínio, Origem Alfena, no Porto, arrancou em setembro, com 79 moradias em tipologias V2, V3 e V4, todas vendidas.
Ainda este mês vai ser lançada a comercialização de um empreendimento de Setúbal, composto por 136 moradias, nas tipologias V1 a V4. Até dezembro deste ano, a empresa prevê colocar ainda no mercado mais 253 habitações, distribuídas por dois empreendimentos nas regiões de Viseu e Grande Porto.
Os quatro projetos representam a primeira fase de um pipeline com presença de Norte a Sul do país. Os empreendimentos incluem moradias de tipologias V1 a V4, com preços a começar nos 139 mil euros.
De acordo com o comunicado divulgado pela empresa, e “tomando como referência os dados do Idealista de setembro de 2026, o preço por metro quadrado das habitações apresenta um desconto de cerca de 24% na área útil habitável, podendo atingir até 65% de redução ao considerar a área global com espaços exteriores privativos”.
Para concretizar a meta, a inHabitus utiliza métodos modernos de construção, combinando engenharia e tecnologia, com ferramentas digitais próprias que automatizam o projeto, otimizam custos e prazos e garantem previsibilidade em todas as fases, do conceito à obra. A padronização de soluções construtivas e a integração de competências de arquitetura, engenharia e gestão, permitindo replicar projetos em diferentes localizações e aumentar o controlo sobre custos, prazos e qualidade é também uma das estratégias da empresa.
Segundo o estudo de 2025 sobre Métodos Modernos de Construção realizado pela University of Texas at Arlington e da Penn State University, o “resultado previsto desta abordagem, face à construção tradicional, é a redução de cerca de 50% no tempo de entrega, redução de 30% no custo total de construção”.

Mário Ferraz, co-fundador da inHabitus, afirmou: “Construímos casas praticamente da mesma forma há décadas, apesar de os desafios do setor exigirem novas respostas. Na inHabitus, queremos contribuir para tornar a habitação mais acessível, repensando a forma como desenvolvemos e construímos casas. O nosso objetivo é conseguir colocar mais habitação no mercado, com preços competitivos, sem comprometer a qualidade”.
O responsável acrescentou ainda que “uma parte importante da diferença está na forma como organizamos todo o processo. Ao concentrarmos competências na mesma estrutura e reduzirmos a dependência de uma cadeia de intermediários e subcontratados, conseguimos ter maior controlo sobre as decisões e os custos. A industrialização permite-nos padronizar soluções, ganhar eficiência e replicar o modelo em diferentes localizações. É esta combinação que nos permite trabalhar para oferecer casas a preços mais acessíveis”.
Por último, concluiu que a principal ambição passa por “desenvolver um modelo que possa ser replicado em diferentes regiões do país, mantendo padrões consistentes de qualidade, eficiência e previsibilidade. Queremos demonstrar que é possível repensar a forma como se desenvolve habitação e contribuir para aumentar a oferta a preços mais acessíveis”.
Foi também referido, pela empresa, que a industrialização da construção poderá contribuir para reduzir o desperdício de materiais em obra e melhorar as condições de segurança, “ao transferir parte do processo para ambientes de produção controlados e reduzir determinadas tarefas executadas diretamente no estaleiro”. Assim, estimam-se reduções de cerca de 80% no desperdício de materiais e no risco de acidentes em obra face aos métodos tradicionais.