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Financiadores reforçam aposta no imobiliário europeu



                      Financiadores reforçam aposta no imobiliário europeu
Fotografia: Pexels

Segundo o estudo elaborado pela CBRE European Lender Intentions Survey, que regista as expectativas e preferências dos financiadores face aos diferentes sectores imobiliários na Europa, o crédito à aposta no setor de living continua a liderar as intenções de financiamento, posicionando-se à frente de industrial e logística, e dos escritórios.

Quanto aos data centers, que fazem parte da escolha de um grupo pequeno de investidores, o sentimento geral em relação ao setor fortaleceu-se, registando uma subida significativa nos rácios de LTV (empréstimo/valor) reportados para novos empréstimos, em comparação com o ano passado.

Setor dos escritórios ganhou mais interesse

O reforço do interesse pelo financiamento de escritórios merece destaque, fixando-se como terceiro setor mais atrativo para os financiadores, subindo três posições em relação ao sexto lugar na edição de 2025 do mesmo relatório. Também quando detalhado o tipo de credor, os bancos revelam uma preferência ainda maior por escritórios” de acordo com o comunicado divulgado, que sobem para a segunda posição das suas preferências.

Financiadores reforçam aposta em segmentos alternativos

Subsetores como co-living, cuidados de saúde, habitação acessível, residência para seniores e self-storage estão a atrair cada vez mais a atenção dos financiadores. 86% dos inquiridos admitem a aprovação de empréstimos para pelo meno  um destes setores, representando um aumento de 5% em relação ao ano anterior. Enquanto os bancos mostraram um maior foco em subsetores relacionados com living, os credores não bancários mostraram maior disponibilidade em todas as demais alternativas.

Também a saúde financeira do setor é corroborada pelo facto de quase três quartos dos financiadores (72%) planearem aumentar a sua atividade de originação, um indicador de que a liquidez nos mercados de dívida imobiliária se mantém saudável.

Disponibilidade para financiar construção continua a aumentar

A CBRE também apontou para um aumento na disposição em financiar estratégias de construção, subindo de 60% em 2025 para 69% este ano. Quando segmentado por tipologia de financiador, esta disponibilidade sobe para 81% para credores não bancários. Por outro lado, os bancos encontram-se quase exclusivamente focados em financiamentos de ativos de rendimento ou de desenvolvimento que tenham baixo ou nenhum risco especulativo.

Segundo Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, “no contexto nacional, esta dinâmica macroeconómica traduz-se numa maior maturidade operacional. Em Portugal é notória a tendência de maior sofisticação e diversificação das operações de financiamento no setor imobiliário, apesar da indisputável prevalência do financiamento ao setor residencial. Existem hoje muito mais alternativas ao financiamento bancário tradicional por parte dos fundos de dívida, que ganham terreno e consolidam a sua presença pela maior rapidez, flexibilidade e maior capacidade para assumir risco”.

O responsável acrescenta ainda que “tem aumentado consideravelmente nos últimos anos o interesse em financiar outros setores do imobiliário para além do residencial, do retalho e dos escritórios, com especial destaque para as residências de estudantes, a logística e a hotelaria. Tal como na Europa, o segmento de escritórios tem vindo a recuperar o interesse da banca, sobretudo em ativos Core e Core+ bem localizados, enquanto os setores de logística e retalho evidenciam maior seletividade”.

Para Igor Borrego, o ano está ter sinais positivos em termos de financiamento. “Somos capazes de estruturar soluções muito eficientes e flexíveis para os promotores e a complementaridade entre banca comercial e fundos de dívida beneficiará significativamente o desenvolvimento do setor imobiliário, permitindo trazer a mercado mais projetos num momento em que a procura permanece elevada”.

Já Tasos Vezyridis, Head of Research Europeu da CBRE, salienta que "o panorama geopolítico incerto continua presente, mas a convergência desse fator com a melhoria generalizada do sentimento para todos os setores este ano é um sinal inequívoco de que os fundamentos imobiliários estão em franca trajetória de recuperação".

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